Florinda Santos

"Florinda Santos, até um ano antes de sua morte, estudou cinco horas por dia, mas nunca teve a técnica como objectivo. Antes, sempre procurou na meditação, na reflexão e no trabalho a base da sua vida, ela que foi o expoente máximo nacional de um estilo emotivo, acima da técnica e a favor da autenticidade."

Em "Portugal Genial" de Carlos Coelho

Florinda Santos, foi a primeira mulher do mundo a interpretar as 32 sonatas de Beethoven, antecipando-se à famosa pianista húngara Annie Fischer.

Florinda Santos, deixa-nos editados três discos, com obras de Schumann, Frederico de Freitas, Beethoven e Chopin. Deixa-nos ainda uma gravação, que fez aos 92 anos, das suites francesas e as invenções a duas vozes de J. S. Bach, ainda por editar.

Florinda Santos, tocou pelo mundo com as melhores orquestras, como a de Berlim, e com os melhores maestros, como Hans von Benda, Annovazzo, Toldrá e Sabater.

"Assim só tocam os grandes", "Mais que talentosa, genial", "Pianista emotiva, gentil, persuasiva, violenta". Florinda Santos foi assim elogiada pelo mundo nos mais prestigiados jornais internacionais das décadas de 50 e 60.



Elementos do Júri | XII

Pedro Burmester
Ricardo Vieira
Eugénio Amorim
Graça Mota
Nelly Santos Leite

Florinda Santos

29 AGO 1907 - 04 FEV 2005


Figura de relevo no mundo da Música, a pianista Florinda Santos é bem merecedora da homenagem que a Academia de Música de S. João da Madeira lhe dedica, desde 1994, através do concurso de Piano Florinda Santos, com a maior gratidão pela grande lição de vida, de amor pela Música, pela Arte e pela Cultura em geral, do intenso trabalho, da forte personalidade, das suas interpretações, da magnífica Música que nos legou em gravações e nas nossas memórias.

Nasceu em Lisboa. Fez os seus estudos musicais no Conservatório desta cidade, sob a orientação dos professores Marcos Garin (Piano), Tomás Borba (Composição) e Luis de Freitas Branco (Estética Musical).

Foi galardoada aos 20 anos com o Primeiro Prémio de Piano do Conservatório e o Prémio Beethoven de Lisboa, e nomeada aos 22 anos, após prestação de provas públicas, professora de Piano do mesmo Conservatório, tendo tido posteriormente ocasião de se aperfeiçoar com Alfred Cortot e Emil Von Sauer, sucessivamente em Paris e em Viena.

Foi casada com o diplomata João de Lucena, tendo-se desenrolado grande parte da sua carreira artística fora de Portugal. Foram inúmeros os seus recitais, bem como as suas colaborações com solistas, com orquestras nacionais e estrangeiras (sob a direcção dos maestros Pedro de Freitas Branco, Frederico de Freitas, Eduardo Toldrá, Henrique Casals, Lamotte de Grignon, Anovazzi, Hans von Benda, etc.), tanto na Europa como em outros Continentes.

Das suas múltiplas actividades, destacaram-se o curso de interpretação, com a execução da série completa das Sonatas de Beethoven, efectuado em Pontevedra (Espanha), e posteriormente apresentado no Conservatório Nacional de Lisboa, no 150º aniversário da morte do compositor bem como as emissões integrais, na Emissora Nacional, da Ibérica de Albéniz e das Sonatas de Schubert.

Inclui-se nas suas diversas gravações em CD, música de Frederico de Freitas e R. Schumann, Sonatas de L. V. Beethoven e Mazurkas de F. Chopin. Ainda por editar, as Suites Francesas e Invenções a 2 vozes de J. S. Bach.

Foi membro do Júri do Concurso Internacional de Música do Porto, em 1985.

A Academia de Música de S. João da Madeira, instituiu em sua honra o Concurso de Piano Florinda Santos, que se realiza desde 1994 e do qual foi membro honorário.